13 de fevereiro de 2011

Agente dorme pra pensar besteira inconsiente

Pra começar os objetos eram tortuosos, engraçados, pareciam todos feitos de massa de modelar. Lá em cima, uma nuvem vagava sozinha em um branco macio e seren. Ela era grande e disforme, olhando com carinho tudo aquilo que estava pintado na paisagem lá embaixo. O chão era de um verde alienigena, diminuia os olhos e também os fazia brilhar mais, abrigar lágrimas, quase fechar. Talvez fosse grama, ou talvez não fosse nada, só chão (...) E a nuvem dançava no céu, flertava o Sol, e não ia embora de jeito nenhum. Tentei pegar algo do chão, reconhecer meu piso, um objeto, um relógio talvez. E nada consegui tocar. Não podia enchergar meus pés. Na verdade não podia enchergar nada que o corpo humano carrega. Era como se os meus olhos flutuassem naquele verde e então eu não podia tocar os objetos, não podia sentir o chão, nem sorrir para todas aquelas cores e formas. (...) Eu sabia que meus olhos brilhavam. Chegava a me doer, incomodar, de tanto que brilhavam. Brilhavam como se jamais fossem enchergar coisa assim. E eu sentia imensa vontade de sorrir, então eu sorria com os olhos e os cansava ainda mais. Doia. (...) A paisagem não mudava suas cores, nem alterava qualquer forma, por mais que tudo ali parecesse mole e engraçado. Então eu senti que me observavam, que alguém ali tinha vida, mais vida e me olhava. Olhava os meus olhos. Não via nenhuma forma humana, nem animal. Mas a sensação de que alguém me observava era forte, grosseira, me intimidava deveras. Achei que talvez fosse hora de ir embora, fugir antes que fosse apanhada por quem sabe, algo que não fosse engraçado. Tentei, mas foi inútil. Percebi que eu estava presa ali, que nem o meu querer era suficiente para que eu avançasse. Era preciso que o tempo passasse para seguir. Eu podia estar com medo, entediada, feliz, perturbada... Nada do que eu sentisse, nada do que os meus olhos contemplassem podiam me mover no tempo. Só o tempo. Aquela doce cofusão, era a minha vida. Os objetos, minhas lembranças. Algumas grandes, outras mínimas, tortas, malucas, engraçados e tristes. Aquele chão, o meu mundo. Meu mundo deslumbrante. E a nuvem solitária, ah a minha nuvem solitária... Era o amor, se fazendo de doce, macio, só esperando pra chover em mim e causar uma enorme tempestade.


1 comentários:

Anônimo disse...

É muito nada a ver, mas tudo faz sentido. Adorei a visão a la massinhas de modelar. E adoro verde, amo! É intenso e triste, mas nos deixa alegres... Esperar o tempo passar é o remédio mais indicado e usado por todos nós. Ual! Sua vida se resumindo a toda essa confusão... Sua mente deve ser um labirinto. E que comece a chover em seu mundo!!!